24 anos sem Patativa do Assaré: o poeta que eternizou a alma do sertão nordestino
Agricultor, repentista e um dos maiores nomes da cultura popular brasileira, Patativa do Assaré transformou a vida do povo nordestino em versos que atravessam gerações.

Nesta terça-feira, 8 de julho, completam-se 24 anos da morte de Patativa do Assaré, um dos maiores representantes da poesia popular brasileira e um dos mais importantes nomes da cultura nordestina. Nascido em Assaré, no Cariri cearense, em 5 de março de 1909, Antônio Gonçalves da Silva construiu uma trajetória marcada pela simplicidade, pela força da oralidade e pelo compromisso em retratar a realidade do povo do sertão.
Filho de agricultores, Patativa enfrentou dificuldades desde a infância, incluindo a perda da visão do olho direito em decorrência do sarampo e a morte do pai quando tinha apenas oito anos. Mesmo tendo frequentado a escola por poucos meses, desenvolveu um talento extraordinário para a poesia, os repentes e a improvisação, tornando-se uma referência da literatura popular brasileira.
Ao longo da vida, publicou obras que se tornaram clássicos da literatura nordestina, como "Inspiração Nordestina", "Cante Lá que Eu Canto Cá", "Ispinho de Fulô" e "Aqui Tem Coisa". Poemas como "Vaca Estrela e Boi Fubá", "A Triste Partida" e "O Poeta da Roça" seguem emocionando leitores e ouvintes ao retratar o cotidiano, a fé, a seca, o trabalho e a esperança do homem sertanejo.
Reconhecido nacional e internacionalmente, Patativa recebeu diversas homenagens e foi agraciado com cinco títulos de Doutor Honoris Causa. Apesar do prestígio, jamais abandonou a agricultura nem deixou sua terra natal, mantendo uma vida simples e fiel às suas raízes.
Mais de duas décadas após sua partida, Patativa do Assaré continua vivo na memória do povo nordestino. Sua obra permanece como um patrimônio cultural do Brasil, preservando a identidade, a linguagem e a força de um Nordeste que ele transformou em poesia.


