Menina Benigna vira símbolo de resistência feminina em meio ao aumento da violência contra mulheres no Ceará
Especial relembra a história da jovem assassinada em Santana do Cariri há 85 anos e faz paralelo com casos recentes de violência contra mulheres no Interior do Estado

A distância entre Quixeramobim e Santana do Cariri é de 355 quilômetros. As duas cidades dividem o sertão, o calor e, agora, uma triste semelhança marcada pela violência contra mulheres. Em Quixeramobim, no último Dia do Trabalhador, uma mulher teve uma das mãos decepadas com golpes de foice pelo ex-namorado e pelo irmão dele. Já em Santana do Cariri, há 85 anos, a jovem Benigna Cardoso da Silva teve os dedos arrancados e acabou assassinada após resistir às investidas de um homem.
A história de Benigna, conhecida como “Menina Milagreira”, volta ao centro do debate em meio ao crescimento dos casos de feminicídio no Brasil. Dados da pesquisa Retratos dos Feminicídios no Brasil, divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostram que o percentual de feminicídios entre homicídios dolosos femininos saltou de 9,4% em 2015 para 40,3% em 2024.
O Ceará aparece no levantamento como um caso complexo. Embora o Estado historicamente registre baixo percentual de feminicídios em relação aos homicídios de mulheres, especialistas apontam falhas na documentação dos crimes, que muitas vezes seguem registrados apenas como homicídio comum.
A força da devoção à beata Benigna também é tema do especial “Menina Milagreira”, produzido pelo Diário do Nordeste. A série investiga como a fé em torno da jovem assassinada transformou Santana do Cariri em um importante ponto de turismo religioso, movimentando a cultura, a economia e fortalecendo a esperança de milhares de fiéis.
Mesmo após mais de oito décadas, a morte de Benigna segue sendo vista como reflexo de uma violência ainda presente na sociedade atual. A jovem virou símbolo de resistência feminina e inspiração para mulheres que buscam coragem diante de relacionamentos abusivos e da violência de gênero.


