Justiça italiana aceita extradição de Carla Zambelli, mas decisão ainda não é definitiva
Defesa recorre e caso pode ir até a última instância antes de decisão final do governo italiano

A Justiça da Itália decidiu aceitar o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), que está presa no país desde julho do ano passado. Apesar do avanço no processo, a decisão ainda não é definitiva e cabe recurso por parte da defesa.
O julgamento foi realizado pela Corte de Apelação de Roma, que rejeitou os argumentos apresentados pelos advogados da ex-parlamentar e considerou válidos os procedimentos adotados pelo Brasil. A defesa já informou que irá recorrer à Corte de Cassação, a última instância da Justiça italiana. Os advogados têm 15 dias para apresentar o recurso, e a corte pode levar até seis meses para decidir, embora o prazo costume ser menor em casos com réus presos.
Mesmo após o fim da tramitação judicial, a palavra final sobre a extradição será política, cabendo ao Ministério da Justiça da Itália autorizar ou não a entrega de Zambelli ao Brasil.
O pedido de extradição foi feito após condenações definitivas no Supremo Tribunal Federal. Zambelli foi sentenciada a mais de 15 anos de prisão em dois processos: um por envolvimento na inserção de um mandado falso contra o ministro Alexandre de Moraes no sistema da Justiça e outro por perseguir um homem armada em São Paulo, na véspera das eleições de 2022.
A defesa argumenta que a transferência para a Penitenciária Feminina de Brasília pode representar riscos à integridade física da ex-deputada, citando questões de segurança e possíveis ameaças no ambiente prisional.
O caso se arrasta há meses e teve diversos adiamentos solicitados pela defesa. O Ministério Público italiano já havia se posicionado anteriormente a favor da extradição, reforçando o entendimento de cooperação entre os países.


